Resenha – A garota que você deixou para trás

segunda-feira, 2 de abril de 2018
Título: A garota que você deixou para trás
Autora: Jojo Moyes
Número de páginas: 380
Editora: Intrínseca



Por: Brenda Sousa

“Isso também é suportável, dissera sua expressão. Talvez você não saiba agora. Mas você vai sobreviver.”
A garota que você deixou para trás, Jojo Moyes

Sophie Lefévre e seu marido Édouard Lefévre apaixonaram-se inusitadamente, como uma supresa da vida para ambos. E viveram seus bons anos de casamento, até o estouro da Primeira Guerra Mundial os separar, sem previsão de reencontro. Sophie passou a viver com sua irmã, irmão e sobrinhos, cuidando de um restaurante agora pouco movimentado, vivendo de migalhas e sofrendo com os avanços alemães na sua cidade na França. Édouard foi convocado para o front da Guerra, e todos os dias o maior desejo de Sophie é que eles esteja bem, ou talvez apenas vivo, em breve retornando para os seus braços. A única lembrança que tem dele é o quadro que ele pintou, a imagem dela, representada em diversas cores, com um olhar característico. Uma belíssima pintura, retrato de alguém que Sophie já não é mais.

De 1917 para 2006, a mesma pintura está na parede da casa de Olivia Halston. O quadro “A garota que você deixou para trás” foi presente de seu marido, pouco depois de se casarem, e virou um item de eterna lembrança do amor deles após a morte inesperada de David. Olivia mora na casa construída por seu marido, arquiteto talentoso e muito conhecido por suas belíssimas obras, e trabalha com frutos do que seu marido construiu. Faz 4 anos que é viúva, morando sozinha e com uma péssima relação com o pai, e só agora começa a enxergar a possibilidade de seguir adiante com sua vida amorosa. Ao conhecer Paul McCaferthy, também de forma muito inusitada (e por que não desagradável?), as coisas começam a tomar um rumo inesperado em seu coração. Mas ainda não seria hora de trazer a calmaria de volta à sua vida. O destino tem caminhos tortuosos para fazer as coisas andarem para a frente, e nem Liv nem Paul são capazes de controlar isso.


Eu ganhei este livro da Jojo a alguns anos atrás em um aniversário, porém ainda não tinha conseguido realizar a leitura. Ultimamente ele vinha chamando muito a minha atenção quando olhava para a estante e, através de uma enquete no nosso instagram (@postandotrechos) escolheram ele como minha leitura da vez. Todas, absolutamente TODAS as pessoas com quem já tive a oportunidade de conversar sobre esse livro me deram a mesma opinião: esta história é maravilhosa! E estou aqui para reverberar esta opinião. Jojo Moyes nos apresenta aos personagens de forma muito profunda, muito íntima, eu diria, e nos faz buscar mais e mais aproximação de cada um deles. Através de suas páginas podemos adentar no mais íntimo de cada personagem e atiçar nossa curiosidade pelo caminhar da história.

Gostei muito da forma como o livro é guiado entre passado e presente, com sua Parte I nos dando apenas uma pequena dimensão do que a história se tornaria nos capítulos seguintes. Liv se mostra uma mulher de muita garra, lutando por aquilo que acredita, até os últimos minutos. Uma personagem para nos inspirar mais e mais! Apesar de o livro trazes 2 romances importantes, o que mais chama atenção é o caráter histórico que a autora nos traz, permitindo uma reflexão sobre os períodos das duas grandes guerras e sobre um tema não muito discutido, que é o roubo de bens materiais de pessoas inocentes em ambos os períodos trágicos da história mundial.


O desfecho da história é surpreendente de uma forma muito coerente e sólida e me deixou de boca aberta e olhos cheios de lágrimas. É uma leitura para levar no coração, para levar como um dos livros inscritos na lista de favoritos, não só pela beleza e realidade com que cada acontecimento é guiado, quanto por ser equilibrado em seus propósitos, não se perdendo em nenhum momento e fechando a história de maneira consistente, deixando o leitor com uma intensa ressaca literária, sem acredita no que os olhos leem até a última página. Se já não for suficiente, afirmo: vale a pena a leitura!



Brenda Sousa
21 anos. Baiana. Blogueira, leitora viciada, apaixonada por séries de TV. Graduanda em Fonoaudiologia. Criadora do @PostandoTrechos





Resenha – A morte no Nilo

sexta-feira, 30 de março de 2018

Título: A morte no Nilo
Autora: Agatha Christie
Número de páginas: 235
Editora: Nova Fronteira



Por: Brenda Sousa

“- [...] Parto do princípio de que é melhor não confiar em ninguém.”
– A morte no Nilo, Agatha Christie

Hércule Poirot estava em mais uma de suas tentativas de tirar férias e esquecer dos inúmeros casos de assassinato que já desvendou até então. Mas o perigo de ser tão bom detetive, quem sabe o melhor do mundo, é que os crimes jamais te deixam viver em paz. Em viagem ao Egito, com o único intuito de descansar e espairecer, Poirot se vê cercado de pessoas sedentas por vingança, lhe pedindo ajuda e declarando que corriam risco de morrer a qualquer momento, de forma brutal e insensível. Porém, o detetive só entra em cena quando o caso já aconteceu. Isso não o impede de estar sempre de olhos bem abertos e atento a cada passo, conversa e acontecimento ao seu redor.

Dentro de um navio no rio Nilo, Poirot tem como companhias pessoas ambiciosas, dentre ricos e humildes, aparentemente em uma viagem inocente e sem relações entre eles. No entanto, sua experiência e os boatos que ouve onde quer que vá já deixam bem claro que não é bem assim. Linnet Ridgeway é uma bela e riquíssima jovem, herdeira de uma herança muito significativa, prestes a completar seus 21 anos e finalmente tornar-se maior de idade. Está sempre cercada de pessoas que desejam seu dinheiro e sua beleza. Linnet está prestes a se casar com um rapaz de família rica e futuro próspero, quando, certo dia, uma de suas amigas, Jacqueline de Bellefort, diz querer lhe apresentar seu noivo, Simon Boyle. A partir daí as coisas começam a desandar. Linnet se apaixona por Simon e, dona de uma beleza irresistível, o tira de sua amiga. Jacqueline é tomada por uma raiva profunda e, quando o casal casa e entra em lua de mel, ela decide segui-los para cada lugar do mundo em que eles vão, culminando em uma viagem de navio pelo rio Nilo. Diversas outras peças de um quebra cabeça complexo começam a aparecer no mesmo navio, até o assassinato da nossa personagem principal. E agora Poirot mais uma vez perde a chance de curtir férias tranquilas e passa a investigar esta tão intrigante morte no Nilo...



Aqui em casa tem um quilômetro de livros de Agatha Christie e eu sempre vivia prometendo ler vários deles algum dia. Depois de assistir o filme “Expresso para o Oriente” (e errar DRASTICAMENTE o assassino, sob pena de ser julgada e zoada pelo meu melhor amigo até hoje), e descobrir que a próxima adaptação da autora será “A morte no Nilo”, decidi ler o livro para não dar a ele esse gostinho de me fazer passar vergonha com minhas capacidades investigativas novamente. Hahahaha’

Aí vem a surpresa de que... EU ADIVINHEI O(S) CULPADO(S)!!!!! Fiquei eufórica com isso sim, me aceitem. São muitas opções e minha cabecinha foi até o final com o mesmo palpite. Me senti feliz e tratei de mandar uma mensagem para meu amigo. Hahaha’ Em geral, a narrativa da autora é muito rápida e o personagem Hércule Poirot é extremamente divertido e intrigante, com seu jeito convencido e calmo de ser. Os capítulos passam rápido e a leitura vai te prendendo cada vez mais, te fazendo ficar sedento por respostas, especialmente quando o coronel Race, companheiro de Poirot nesta investigação, tenta todas as alternativas e não consegue tirar suas próprias conclusões.

Em geral é uma história um tanto quanto parecida com “Expresso para o Oriente”, inclusive a autora até cita uma parte desta história. No entanto isso não faz com que o livro perca seu encanto e seu poder de cativar o leitor a cada parágrafo lido. Eu super indico esta história para quem curte bons livros de investigação policial, sem enrolação e com acontecimentos guiados de forma muito bem articulada desde o primeiro capítulo até o último.




Brenda Sousa
21 anos. Baiana. Blogueira, leitora viciada, apaixonada por séries de TV. Graduanda em Fonoaudiologia. Criadora do @PostandoTrechos





Resenha – O livro dos ressignificados

domingo, 18 de março de 2018

Título: O livro dos ressignificados
Autor: João Doederlein (@akapoeta)
Número de páginas: 215
Editora: Paralela



Por: Brenda Sousa

“Ressignificar: é olhar de dentro para fora. É encontrar novidade no que a gente vê todo dia.”
O livro dos ressignificados - João Doederlein

Quando saímos de casa e olhamos ao nosso redor, enxergamos o mesmo que qualquer outra pessoa que passe pelo mesmo lugar naquele momento. Será mesmo? Será que os meus olhos enxergam tudo que os seus enxergam e da forma como os seus enxergam? Desde um pequeno copo plástico largado no asfalto, até o sorriso de um desconhecido que nos encanta de imediato? João Doederlein nos mostra que não é bem assim. Com pequenos poemas, textos, e ressignificações das mais profundas, ele consegue nos mostrar que uma palavra pode ser lida de diferentes formas.


O livro é dividido em algumas partes, e o autor consegue ressignificar desde palavras como indiferença, felicidade, serendipidade e ritmo, até palavras super modernas como crush, match e bad. Em cada página é possível sentir lá no fundo do peito o que ele quer dizer. Sua forma singela de nos reexplicar o mundo é cativante e me fez dar pequenos sorrisos em dias de tensão, me fez levantar os olhos para o céu e enxergar o azul de forma diferente, olhar para um desconhecido e buscar sua história pelo seu olhar. “O livro dos ressignificados” me trouxe calma e paz interior de um jeito que nem eu mesma consigo entender muito bem.

Engraçado que eu estava passando na livraria para comprar um presente e, na mesma bancada do livro que peguei, estava este exemplar, discreto, porém bem trabalhado, com um preço ótimo. Quando abri, li a primeira “ressignificação” feita pelo autor e me encantei no ato. Não podia deixar de comprar. Acreditei que aquele livro estava ali por um propósito e ele realmente estava. É um livro capaz de nos acompanhar em dias tensos e complicados como se estivesse de mãos dadas conosco, guiando nossos passos e tirando a ansiedade, nervoso e preocupações da nossa mente com apenas algumas palavras. Eu indico para quem gosta de leituras tocantes. Li em apenas 2 dias (isso porque tive que parar por alguns compromissos), devorando cada página como se não houvesse amanhã. E o que o livro me ensinou? Que há amanhã sim, e que ele está lá para ser muito bem vivido.





Brenda Sousa
21 anos. Baiana. Blogueira, leitora viciada, apaixonada por séries de TV. Graduanda em Fonoaudiologia. Criadora do @PostandoTrechos





Resenha – A Linguagem das Flores

quarta-feira, 14 de março de 2018
Título: A linguagem das flores
 Autora: Vanessa Diffenbaugh
Número de páginas: 294
Editora: Arqueiro



Por: Brenda Sousa

“- Você acha mesmo que é o único ser humano que tem defeitos imperdoáveis? Que foi magoado a ponto de entrar em colapso?”
A linguagem das flores, Vanessa Diffenbaugh

Victoria Jones foi abandonada por sua família ainda quando muito pequena. Desde então, passou por diversos lares adotivos, sempre sendo devolvida a abrigos por seu comportamento inadequado, seja propositalmente ou mesmo sem que soubesse o que havia feito. Meredith, sua tutora na busca por uma nova família, passou anos de sua vida se dedicando a conseguir que Victoria se encaixasse bem em um lar e tivesse um bom futuro. Ao encontrar Elizabeth, Meredith achou que talvez pudesse dar certo, e o mesmo pensamento se concretizou para Victoria.

O prazo para a oficialização da adoção era de 1 ano. Os primeiros meses foram difíceis. Victoria, que estava acostumada a ser abandonada, acreditava que não havia o que pudesse fazer para evitar isto, então manteve seu comportamento inadequado, sem se abrir, sem aceitar as investidas carinhosas de Elizabeth. Porém, ao descobrir que sua nova mãe trabalhava com flores de uma forma diferente, as coisas começaram a mudar, ainda que bem devagar. Elizabeth lhe ensinou a linguagem das flores, muito utilizada na era vitoriana por amantes e casais apaixonados. Cada flor tem um significado, algumas até mais que um. E foi a partir desse singelo contato que Victoria começou a se permitir um contato mais próximo com Elizabeth. 


No entanto, como já era esperado para a sua vida, no momento da adoção, algo acontece e impede que Elizabeth oficialize tudo. Victoria, mais uma vez, voltaria para a tutela do estado. Agora com 11 anos, sabia que se tornava cada vez mais difícil que fosse adotada. Acreditava que ninguém era capaz de amá-la, assim como ela não seria capaz de nutrir amor por qualquer outro ser humano. Chegou aos 18 anos, foi colocada para fora do abrigo e obrigada a se virar sozinha no mundo cruel o qual nunca conheceu muito bem. Traços do seu passado inesquecível a perseguiriam para sempre, e mal sabia ela que a linguagem das flores seria a salvação para que tivesse um futuro melhor.
 
Dentre todos os livros que tenho lido recentemente, este foi o que teve a história mais diferente. Dei 4 estrelas porque, apesar de tratar do tema do abandono e adoção de forma diferente, não há nada de tão extraordinário na história. Porém, finalizei esta leitura completamente encantada pela delicadeza da história, pelos detalhes muito bem trabalhados, pela intensidade com a qual a linguagem das flores me atingiu. Fiquei emocionada com o caminhar da história, com as lutas e vitórias de Victoria Jones, com os desafios e todo o seu sofrimento. A linguagem das flores, que é verdadeira e de fato era usada na época vitoriana, é magnífica e encheu meus olhos de mais amor por esses pequenos presentes que a natureza nos dá diariamente.


Se Eu indico essa leitura exatamente por isso. A forma como toca o leitor bem no fundo do peito, com delicadeza e suavidade. Não é nada extraordinário, de fato, porém é uma leitura gostosa, que nos permite refletir sobre diversos assuntos, e nos encanta conforme descobrimos novos detalhes relacionados à linguagem das flores. No final do livro a autora deixou um dicionário da linguagem das flores, explicando o significado de cada uma, de acordo com o que é trazido pela personagem durante todo o livro. Achei esse mais um ponto positivo. Senti que tenho, além de uma bonita história de superação, um dicionário de flores para o meu próprio uso. E já tenho várias ideias com ela. No final das contas, foi uma leitura que mudou minha forma de enxergar algumas coisas. Fica a dica!





Brenda Sousa
21 anos. Baiana. Blogueira, leitora viciada, apaixonada por séries de TV. Graduanda em Fonoaudiologia. Criadora do @PostandoTrechos
 
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